Documentário traz depoimentos de lésbicas brasileirasPor Lufe Steffen “Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica”. Com esse título, o diretor Vagner de Almeida realizou um documentário em longa-metragem que monta um panorama da atual situação das lésbicas no país. O filme está sendo exibido em festivais, universidades, congressos, fóruns e todos os lugares onde é requisitado. Fez parte das exibições de filmes no “24 Horas Contra a Homobia” em Brasília. “O filme foi criado para isto mesmo, trazer um universo muito desconhecido para tantos dentro de uma sociedade tão homofóbica e religiosa”, afirma Vagner, que é coordenador do Projeto Juventude e Diversidade Sexual na ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS no Rio de Janeiro. Fale um pouco sobre o filme. Por quê você decidiu realizar um documentário sobre lésbicas?
Você acredita que as lésbicas sofrem mais preconceito do que os gays masculinos?
Comentários: Jose Jairo Irineu no dia 16/10/2010: Bom dia. Sou homossexual e ainda tem esse tipo de preconceito, não só com as mulheres lésbicas assim como os homens. Pois me assumi com 10 anos de idade, claro que tem um preço(a dor do preconceito) mas até hoje estou vivo e superei. Esta lindo o trabalho de Vagner. Rosana Pitanga no dia 16/10/2010 às 13:54 disse: A liberdade de expressão é uma conquista dos movimentos LGBTs no Brasil, claro que ainda tem mulheres assumidas e as não-assumidas porém é uma questão de tempo para que ca mulher lésbica tenha certeza da sua sexualidade, e não parecer somente curiosidade e ficar na dúvida. Silvia Furtado no dia 21/10/2010 às 16:10 disse: O que deveria ser motivo de orgulho, a rebeldia, assumir a sua lesbiendade, não submeter- se ao machismos cultural da própria família, acaba se perdendo com a falta de consciência política. Infelizmente ainda temos que debater mais sobre a nossa condição de ser mulher e a opressão que incide sobre o feminino. Parabéns pelo trabalho, retirar da invisibilidade uma realidade, abrindo o debate fortalece o movimento de lésbicas, possibilitando a reflexão da diversidade humana na sociedade. Grande abraço, Silvia Furtado
|
|||
Vagner - Quem é Vicky Walker? Vicky - Um espelho. Deixo que cada um veja sua própria imagem refletida em mim.
Vicky - Uma peça desse quebra - cabeças. Uma integrante de uma equipe coesa e profissional que se empenham para um produto final, que é a obra em si e seu entendimento pelo público. Vicky - Fazer com amor, carinho, dedicação e profissionalismo não é fácil. Exige do profissional e é assim que tem que ser. Faço com muito prazer. Para mim só existe o “Ser Humano”, trabalho para atingir o coração das pessoas e isso independe de classe social ou orientação sexual. Vicky - Fiquei muito feliz! É sempre um prazer ser convidada para integrar uma equipe. Pensei de imediato em usar uma das muitas músicas que fiz e tenho nesse trajeto de carreira artística; Depois pensei em realmente mixar algo com trechos de Ana Carolina, Maria Bethânia, Vander Lee... Mas não gostei do resultado. Então voltei à minha pasta de criações com frases que desenvolvi em 1994 com uma grande poetisa amiga: Madu Macedo. Vicky - Fiquei muito feliz. Sou uma artista que trabalha com, e para o público e sem peso de ser rico ou pobre homo ou hétero, branco ou negro... Todo trabalho é um desafio, todo trabalho é o mais importante.
Vagner - Trabalhando por meses nestas musica, enfrentando os desafios de estúdios, o meu estresse em ter a musica pronta, como foi tudo isto para você? Vicky - Foi prazeroso! Tenho experiência para dosar tudo. O momento de criação é o mais importante. Gosto de me isolar, preciso disso... É um processo que requer que eu ouça muitos estilos musicais, faça testes, ouça, ouça e ouça... Só assim pode ter diminuído a chance de erro. Existem fases numa criação que não deixo de cumprir... Como pré-produção, criação, produção, pós produção, divulgação. São fases distintas e ao mesmo tempo interligadas. Alguma requer equipe, conversação e outras requerem o artista e o silêncio; A conexão com o divino e inspirador. Vicky - Tenho 25 anos de experiência com a publicidade, TV e Cinema. Sou uma eterna aprendiz, mas aprendi com mestres como Tizuka Yamazaki, Jacyra Lucas, Carlos Fontoura, Tininha Araújo, Sérgio Goldemberg, Denise Duarte, Marília Pêra, Bibi Ferreira e outros queridos como você, que ficar frente às câmeras tem a mesma responsabilidade de estar atrás delas. Na frente temos nossa imagem, mas não estamos sós... Existe uma equipe que nos dá todo o suporte e confiança para nosso trabalho e exposição. Quando estamos atrás das câmeras temos nosso nome e nossa credibilidade... Temos a responsabilidade de fazer o nosso melhor para, quem esteja frente às câmeras possa ter segurança e fazer o seu melhor. Temos o objetivo de falar ao coração dos telespectadores. Cada pessoa numa equipe de imagem tem a mesma importância... Só uma equipe coesa e profissional alcançará o objetivo de ser entendida. Em ambos os filmes você fala do ser humano e eu amo isso.
Vicky - É sempre positivo o esclarecimento e o conhecimento, principalmente quando se trata de seres humanos que fazem parte do nosso dia a dia. No fundo fica a certeza de que somos iguais quando se trata de sonhos, lutas, alegrias, decepções, desilusões... . Esse documentário é uma arte e como todo arte requer a sensibilidade e a alma de quem cria e de quem a vê. Vagner - Como foi participar dessa produção? Vicky - Muito prazeroso! Só trabalho com quem confio. Gosto de trabalhar com profissionais Competentes e maravilhosos como você e Etiene Petrauskas . É sempre um grande aprendizado e prazeroso. Vicky - Eu não gosto de rótulos. Penso que enquanto houver divisões de grupos humanos estaremos longe da unificação. Não podemos criar grupos baseados no que se faz sexualmente dentro de um quarto. O termo lésbica originalmente referia-se somente às habitantes da ilha de Lesbos, na Grécia entre os séculos VI e VII a.C. Morava naquela ilha a poetisa Safo admirada por seus poemas sobre o amor e beleza, em sua maioria dirigidos às mulheres. Por essa razão, o relacionamento sexual entre mulheres passou a ser conhecido como lesbianidade ou safismo. Ser mulher no Brasil já é difícil. Mulheres ainda trabalham mais que os homens, e ganham menos. Mulheres ainda são obrigadas a levar as cruzes das famílias nas costas...( problemas de maridos e filhos). Agora fico pensando se em uma sociedade machista uma mulher é apontada como lésbica... O que muda em minha vida se a minha vizinha faz sexo com uma mulher ou com um homem? Esse filme é muito importante para percebermos o ser humano com toda sua grandeza e sua mediocridade e hipocrisia.
Interpretação: Vicky Walker Direção Musical: Delfim Moreira Produções Artísticas Produção Musical: Joe S. (Sound Designer) www.vickywalker.tv
|
|||
para maiores
informações enviar e-mail:
vagner.de.almeida@gmail.com