
Entrevista produzida e dirigida por Marccelus
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M: Você é parte dos brasileiros
premiados e reconhecidos fora do país. O nosso país é
ingrato para com os seus talentos? Como você vê o incentivo
ao cinema dentro e fora do Brasil?
V: Ser premiado, reconhecido e ver o seu trabalho contribuindo de alguma
forma para melhorar globalmente esse sistema tão cheio de pequinezes
é uma honra. Um averdadeira glória…
O nossoo país é ingrato com uma série de coisas,
basta abrirmos as janelas de nossas casa ou colocar o pé nas
ruas, que veremos a ingratidão e a perversidade de nossa sociedade
com os seus cidadãos comuns. Somos um país muito descuidado
com a solidariedade. Somo empregnados em dar esmolas, mas cuspimos nos
que nos estendem as mãos para as esmolas que damos.
Qto ao que faço ou me proponho socialmente a realizar tenho conseguido
muitas coisa, mas com muito esforço. Como não faço
documentarios para me auto-promover, mas sim denúnciar uma série
de impunidades, as quais perduram por anos em nossa sociedade egoísta.
Neste ponto de vista eu me sinto excluído de uma série
de possibilidades comerciais. Mas um dia eu chego lá…
Os incentivos estão ai, mas muito centralizados, sempre nas mãos
dos mesmos, sempre abocanhado pela mafia cinematográfica, pelo
famosos e ilustres. Isto é no exterior; é aqui no Brasil
e não há como transpor essas paredes criadas pelo monópolio
dos sempre patrocinados. Isto não quer desmerecer que o cinema
brasileiro deu um avanço formidável em qualidade, tanto
técnico como comercial. Mas ainda não conseguimos superar
ou nos igualar a países como a Índia que produz mais de
800 filmes por ano, isto significando que eles produzem mais de 2 filmes
e por dia.
M: Na sua categoria de expressão
cinematográfica – na parte de documentários - existem
oportunidades de maior divulgação no exterior?
V: As pessoas têm uma idéía muito errada do exterior
como sendo o eixo do mundo ou um paraíso. Tudo do exterior é
melhor para a maioria das pessoas. Não importa que você
pronúncie o nome da Bósnia ou de Serra Leão como
sendo os piores lugares do mundo, ainda vamos escutar que lá
é melhor do que o Brasil. As pessoas no nosso país têm
essa idéia de um arco-iris estranjeiro, todos lugares que você
imigrar sera um Colorado. Tudo é muito relativo, pois foi no
exterior que recebi o meu primeiro prêmio internacional, mas também
tenho me organizado no Brasil para que o meu trabalho seja reconhecido
ai.
No exterior eu me deparo tanto con feras imensas como com mínimas.
Tudo é uma competição, um estende chapéu,
um puxa saquismos, um tira tapete dos pés dos outros. O que eu
faço é tentar me apartar dessa passarela de vaidades e
divulger os meus documentarios como um protesto, um alerta, um grito
sobre todas as tragédias e impunidades que imperam no Brasil,
aqui embaixo do Equador, país que não tem pecado e que
Deus é brasileiro… Meus filmes sempre saiem bem nos festivais
tanto ai no Brasil como no exterior. Isto me faz muito feliz. Para um
filme que não é comercializado como “Borboletas
da Vida”. Este foi um exemplo de sucesso para nós com centenas
de apresentações, críticas de altíssimas
qualidades e um público misto formidável… Todas
as apresentações aonde tive a oportunidade de estar houve
debates e tópicos relevantes, enriquecedores, os quais foram
pontuados em cada apresentação.
A última apresentação das Borboletas no MIX BRASIL
no Rio de Janeiro fomos aplaudidos de pé… em Nova Iorque
fomos aplaudidos de pé dai para frente o filme criou pé
e saiu andando sozinho. Amigos dizem que as Borboletas não criaram
asas, mas sim pernas… eu acho isto ótimo.
Isto foi um presente que o exterior me deu, pois apóis o meu
filme ser preminado no New York Brazilian Film Festival ele surge na
mídia, ficou carimbado na internet e vários sites importantíssimos…
uma vitória... mas nada disso nào teria aocntecido se
eu nào tivesse ao meu lado o time que tenho no Brasil, o apoio
que recebo e todas as glories, os louros eu dividos com os meus técnicos,
entidades e pessoas que direta ou indiretamente estiveram lá
no pecurso da criação de todo processo do filme.
Só no Google há mais de 360 referências sobre o
meu filme e isto é o máximo para um peixe pequeno como
eu dentro desse mar de tubarões, isto é divino.
M: Fala um pouco da tua formação
acadêmica, como nasceu a tua vontade de filmar e porque esse especial
interesse num documentário realista e quase denúncia?
V: Começo em Estudos Sociais na UCP – Petrópolis
e fujo para teatro, fundando um grupo nos anos 70 de protesto e consequemente
levando muita porrada de policia, preso com o grupo, tendo teatro invadido
e fechado… enfim um longa história como de tantos outros
brasileiros que viveram os anos de ferro da nossa estimada patria mãe
gentil. Do teatro para filmes não foi uma passagem em degradê,
pois sabemos que filme sempre foi uma coisa cara e de alcance quase
útopico para muitos de nós. Mas começando a trabalhar
na ABIA com o Projeto HSH, recém chegado da Universidade de Berkeley
na California, estudado análise de imagens para filmes, amando
fotografia e sempre escrevendo scripts para teatro, não estava
muito longe de ganhar uma camera VHS do meu parceiro e começar
a filmar os amigos e suas verdades e mentiras. Como tudo na minha vida
é um processo de construção o cinema também
tem sido o mesmo. Não acredito no imediatismo, no tem que ser
quero agora, algo muito típico dos brasileiros, mesmo antes do
mundo ficar tão globalizado, já eramos imediatistas mesmo
antes dessa mundança global, com fax, computadores, internet
e celulares…
Sempre trabalhei com denúncias. O meu segmento no teatro sempre
foi o Teatro Expressionista, nos meus documentaries não fujo
muito dessa realidade que construi para as minhas obras. Há a
necessidade constante de denúnciar ou nos perdemos dentro de
nossas próprias vidas.
M: Você acredita no poder transformador
da arte?
V: Certamente! Sem a arte o mundo não existiria. Através
dessa benção que é a arte o mundo estaria muito
pior… estariamos muito acelerados para as coisas ruins…
Atráves da artes cinematográfica eu posso filmar, editar,
montar o meu mosaíco de fotos e tomadas de cenas e criar uma
arte e dali divulga-la no mundo, ajudar as pessoas a repensarem sobre
outras vidas de pessoas sem privilegios, sem amanhã… a
arte me conduz, me ilumina, me transforma de forma extremamenete positive
e certamente transforma a vida do mundo para melhor.
M: Cultura e qualidade de vida caminham
juntas?
Deveriam, pois a cultura nasce para todos, mas nem sempre a cultura
é um fator transformador de qualidade de vida. Nem todos em nosso
país e em muitas partes do mundo tem acesso a cultura, não
sabem ler ou escrever, não conseguem colocar pão na mesa...
Muitos intelectuais acham a arte da fome uma arte. Infelizmente essas
duas artes de vida não são paralelas, mas deveriam. Observo
atentamente a populaçào que trabalho na Baixada Fluminense
e vejo que aonde há pobreza a qualidade de vida nào acompanha
as diversidades da cultura.
M: Atrás de um grande homem, há
um outro monumental.
V: “Eu diria paralelo a um grande homem, há sempre um
outro grande ser!” - Mas a vida é cruel e nem sempre é
assim.
Observei na vida muitas pessoas fabulosas ao lado de imensos montes
de lixo… mas isto é a complexicidade desse mundo em que
moramos. Chamo o mundo de moradia alugada, pois podemos ser despejados
a qualquer momento… assim também são com os relacionamentos.
M: Como você explica este teu
“casamento/parceria” de décadas com o escritor atrópologo,
cientista social Richard Parker. É possível a felicidade
entre dois homens – dividir a cama, os problemas e administrar
sentimentos como ciúmes, amor, dor e paixão – é
fácil numa relação a dois?
V: Nossa parceria dura mais de 24 anos e isto é uma ARTE de
VIDA. Não é fácil estar do lado de uma celebridade,
acompanhar todo o trajeto de vida, carreira, momentos não muito
fáceis e outros explendorosos, viagens… uma orquestra a
ser conduzida com muito cuidado ou o conteúdo do relacionamento
estraga.
Felicidade é uma coisa construída, edificada dia a dia
ou sendo mais preciso hora a hora, minuto a minuto e até nos
intervalos de felicidade há os momentos de enfrentamentos, diálogos,
edificação de personalidades, aceitar e rejeitar, acreditar
sempre que os problemas possam ser resolvidos democraticamente e com
infinitos ingredientes positivos. É claro que dois homens, duas
mulheres, dos seres humanos podem ser felizes… Como falei é
uma orquestra e só devemos ter a sabedoria de conduzi-la corretamente.
Dividir a cama é a coisa mais fácil! Que todo relacionamento
fosse só dividir a cama…caso fosse só isto o mundo
não estaria com tantas camas vázias… a coisa importante
no relacionamento é levantar depois da cama e cont;inuar anos
e dias que se seguem em suas vidas. Ai sim você prova e conduz
o seu relacionamento…
Lembro-me sempre de um desenho de eu casalzinho nú nos jornais
que dizia “Amar é”… tão simples, mas
tào difícil de ser adotado no seu relacionamento…
Ciúmes eu tenho muito! Amo ter ciúmes controlados, eficazes,
moderados, transformadores da monotonia… Um sofrimentozinho básico
faz parte da rotina do amor. Não consegeria viver sem esse floral
do ciúme positivo.
Amor pelo meu parceiro é do tamanho do mundo ou diria maior
ainda, pois o que sinto pelo meu homem é algo inesgotável.
Paixão é uma delícia, mas é cruel, machuca,
esfola e faz muitos relacionamentos acabarem, pois as pessoas confudem
paixào com obsessão, posse, domínio e isto sào
ingredients que azedam o paladar de qualquer receita perfeita. A paixão
é coisa de primeiras semanas de namoro e os últimos dias
de romances nào correspondidos por uma das partes. Falta na paixão
o equilíbrio.
M: Como é o Vagner de Almeida no
dia à dia. Como é um dia de rotina de um brazuca em Nova
York? Você tem planos de voltar a viver no Brasil?
V: Eu não me sinto um BRAZUCA, sou um homem do mundo, um mundano
como falava a minha mãe em vida, mas de forma agradável
de se ouvir.
Tenho a minha casa aqui em NY e outra no Rio… Vivo trabalhando
nos dois continentes e as minhas identidades com o Brasil e os USA são
semelhantes. Sempre digo aos amigos que “o meu país é
aquele que me trata bem, me respeita e me dá oportunidade como
ser humano”, por isso me acho um pequeno património mundial.
Caso tenham que morrer no Nepal e feliz, lá será a minha
pátria e as minhas cinzas serão espalhadas ao mundo dali
mesmo.
Não posso nunca falar mal dos USA, pois os enfrentamentos que
passo aqui, tais quais ou piores passo no Brasil. Fico muito sentido
quando escutos as pessoas falarem mau dos americanos, generalizando
a sociedade. “Tanto aqui qto ai porcaria também há”.
Tenho amigos maravilhosos aqui e no Brasil… na verdade tenho amigos
incríveis no mundo inteiro, pessoas que me admiram e eu as admiro.
O que não presta nas sociedade são os seus governantes,
os seres do poder. Esses sim não prestam em lugar nenhum da terra.
M: Talvez a face mais cruel e desumana
de tratamento para com os Gays seja a velhice. Numa realidade capitalista,
imediata e superficial na qual estão inseridos os homossexuais
– ficar velho pode ser em vida um injusto atestado de óbto,
já que vitmas de estigmas e da segregação, muitas
destas pessoas se tornam infelizes. Você concorda com isso?
V: Não concordo! Pois ao concordar com isto deixaria uma série
de exemplos positivos sobre a velhice de lado, engavetados... Ficar
velho é um processo de vida. Todos nós ficaremos, gays
ou não. A forma de como conduzimos e edificamos a nossa velhice
é que fará a diferença. Ouço muitas pessoas
que estào sozinhas, abandonadas, sem família, sem amigos
escomungarem a vida. Eu acredito na família pretendida, criada
no decorrer de nossa passagem por aqui na terra. Temos que aprender
a sermos menos auto-centrados, nos isolarmos por acharmos que somos
superiores, esnobar em jovem o menos favorecido.
Trabalho com várias pessoas idosas e as vejos em ângulos
diferentes. Há parcerias de mais de 40 anos gays, 50 anos heteros
e etc. Qdo observamos a era capitalista, o individualismo acelerado,
o egoísmo acentuado, ai sim percebo que a velhicde é muito
triste, principalemnte se nada foi construído de forma positiva
para que qdo chegarmos nela, possamos sabiamente enfrenta-la e deixar
nos levar com serenidade. Não tenho medo da velhice, da argamassa
descer, mas a alma elevar-se em planos superiors.
A infelicidade, atestados de óbtos sào coisas espalhadas
dentro de todos os segmentos da vida.
Eu espero morrer um velhinho acesso, eletrico, vivo, rindo e observando
as coisas boas da vida… quero, necessito e desenvolvo no presente
aos 48 anos uma identidade zen para mim e com o meu parceiro.
Sem julgar, mas expondo as minhas idéias sobre esse tópico
observo que com um pouco de esforço de todas as gerações,
inclusive dos idosos as coisas poderiam caminhar de uma outra forma.
Devemos desconstruir e criar uma nova idéia de que ser velho
e gay não é um caminho para a morte solitária.
No dia em que a nossa sociedade global observar que para cada problema
há várias soluções, ninguém mais
morrerá no abandono e na solidão, que tantos nos dias
de hoje vivem.
M: Como estão acontecendo as tomadas
com Gays da terceira idade para o seu próximo trabalho? Já
tem um título definido? Porque você escolheu este tema?
V: Sou gay, serei daqui alguns anos uma pessoa de terceira idade e
quero agora aprender com eles como enfrentar todos os dias dos dias
de nossas velhices. Pois a velhice não deve ser generalizada
como fim de carreira de vida, mas sim uma edificação de
aprendizados e sabedoria. Devemos sim é festejar sempre que for
possível a nossa trajetória a velhice.
Há muito observo, convivo com todos os tipos de idosos. Moro
no Leme, no Rio de Janeiro e Copacabana é um reduto de teceira
idade de todos os gêneros e estilos. Quando nas minhas caminhadas
matinais observo uma série de idosos fazendo as suas caminhadas.
Alguns ativos e sozinhos, capazes de se movimentarem sós e outros
em suas cadeiras de roda e guiados por sus familiars e infermeiros.
Percebi que do outro lado da cidade em setores menos privilegiados,
haviam, existem outros idosos carentes. Foi dai que surgiu a idéia
de fazer um link com o que eu faço. Nosso projeto na ABIA –
Associação Brasileira
Interdisciplinar de AIDS com jovens HSH, deu-me um senso de passagem
de vida e o que esses jovens serão daqui há 50 anos, 60
anos e eu nem mais aqui estarei. Ouvindo participantes das oficinas
referindo-se aos Cacuras ( gays idosos), percebi que algo necessitava
ser feito e comecie a colhetar ideías, fotografias, entrevistas
e oficinas com idosos gays… os resultados começam a brotar
e isto esta me dando muita satisfação em poder mais uma
vez contribuir de uma forma muito objetiva com esse segmento da comunidade
gay, não muitas das vezes assistidas.
O filme não tem título ainda, pois agora o que menos importa
é o título, mas já tem forma o que é mais
importante. Com a ajuda de Deus espero estreiar esse ano uns 4 documentários,
incluído esse da terceira idade gay. Qualquer contribuição
sera extremamete bem vinda, qualquer história de vida, fotos
etc serão extremamente fundamentais para a realização
desse projeto.
M: Vagner de Almeida é hoje uma
referência internacional. O seu documentário “Borboletas
da Vida” realizado em 2005, ganhou o primeiro lugar no New York
Brazilian Filme Festival, foi um sucesso de crítica e de público
e agora roda o mundo integrando outras jornadas e festivais. È
muita responsabilidade? Fala um pouco pra gente deste trabalho .
V: Ser referência internacional é uma consequência
do meu trabalho que venho realizando com a população homosexual
desde o ínicio dos anos 80 com o surgimneto da AIDS.
“Borboletas da Vida”, realmente me projetou e está
projetando em setores até então ainda não fixado
com o meu trabalho. O prêmio no NYBFF, foi um marco e uma porta
para ir em frente com o filme e com a carreira. Agradeço imensamente
a oportunidade que as forças do bem me deram em ser premiado.
Hoje viajo o mundo inteiro, o filme está competindo em diferentes
festivais de diversidade sexual. Sou convidado pelas maiores univesidade
dos USA e do Brasil para apresentar o filme seguido de debates, seminários
e congressos. Isto é uma dádiva, um presente dos seres
elevados que me protegem sempre. Tenho uma responsabilidade imensa com
a minha instituição no Brasil, a ABIA, a qual tem me apoiado
anos a fim para que esses tipo de projeto seja feito. É uma responsabilidade
com a equipe que me acompanha estes anos todos. Tenho profundo agradecimento
ao meu parceiro e diretor geral da ABIA Richard Parker, aos coordenadores
gerais da ABIA, Veriano Terto Jr e Cristina Pimenta e aos meus assistentes
de projeto e de filme Josias Freitas e Fábio de Sá. Só
no ano passado o filme foi exibido em mais de 600 lugares, isto significando
que houve quase duas aprentações por dia desse filme não
comercial. Mais de 600 cópias foram distribuidas no Brasil inteiro
gratuitamente para fundações e ONGs que trabalham com
a diversidade sexual, inclusive há uma cópia, creio que
disponível ao público ai no GGB.
Este anos estamos inscritos nos festivais de Miami e Toronto. Uma maratona
de atividades incrível.
M: Estamos anciosos para saber do seu
novo trabalho “Basta 1 dia”. À quantas anda as tomadas
– cenas no Brasil e nos EUA ? Porque este título? E mais
ainda, ao resolver fazer um documentário denúncia da gritante
matança e da impunidade que ronda os crimes contra travestis,
você pretende de alguma forma tornar público e cobrar justiça
contra tal crueldade? Como é transitar no universo dos travestis?
V: Este filme é um outro marco na minha vida de ativista, artista,
transformador e formador de opinião.
“Basta 1 dia” é realmnete uma cobraça silenciosa,
aqual espero que saia em gritos depois de lançado e que a impunidade
de nossa sociedade seja revistada pelos orgãos competentes. O
título é simplesmente o que tenho observado nas vidas
desses atores sociais, as travestis. Para elas o dia seguinte é
algo muito distante, pois vivem, como muitas mencionam hora a hora e
não esperam nada do futuro. Qdo observamos os assassinatos de
tantas meninas fabulosas e que até hoje nada foi feito para solucionar
esses crimes de ódio surge uma imensa revolta. Transitar com
essa comunidade é simples, rica e renovadora, basta nos intergrarmos
e adiconar o respeito, o carinho e nos permitir entender e nos fazer
enterder em ambos os universos. Nunca tive nenhum problema com nenhuma
comunidade, pelo contrário sou sempre extremamente bem aceito
aonde chego. “Basta 1 Dia” é um segmento de tantas
impunidades reinates na Baixada Fluminense do Rio de Janiero.
Muitas pessoas me perguntam o por que de focalizar só um local
específico em meus filmes? Um local determinado como se eu estivesse
generalizando o mundo ou o Brasil? Minha resposta é muito simples.
Não tenho pernas e braços para abranger o mundo todo.
Então aqui, aonde eu tenho possibilidades de me organizar para
dar o meu grito social e que este cantinho sirva de incentivo para que
outras pessoas no Brasil ou no mundo comecem a refletir e agir para
que tantas impunidades sejam castradas e os criminososo sejam banidos
da sociedade livre.
Qdo “Borboletas da Vida” foi selecionada para o programa
da Rede TV em Direitos de Resposta em Janeiro de 2006. Foi neste momento
em rede nacional que percebi que o meu filme estava fazendo a sua parte
social no mundo. Estivemos no ar mais de 85% do tempo exemplificando
as idéias dos debatedores convidados pelo programa. Foi um marco
para o filme e para o nosso Projeto Juventude e Diversidade Sexual da
ABIA.
M: Técnicamente falando como é
o teu trabalho?
V: Simples, muito simples, pois através de simplicidade eu monto
os meus mosaícos. Trabalho tudo em digital e uso a criatividade.
Há um fato muito interessante na minha vida para ser relatado:
“Um cineatas na noite da entrega dos prêmios no NYBFF, no
intervalo disse-me que havia visto o meu filme e que observou que eu
usei uma camera muito pobre para realiza-lo. Achei ofensivo, mas como
não era hora parar discutir técnologia naquele exato momento,
eu simplesmente agradeci a ele por ter assistido o filme e me retirei
para o salão de premiações. Horas mais tarde meu
filme é anunciado como melhor documentário de 2005. Um
surpresa para mim, pois não esperava por tal premiação
em meio de tantos outros filmes. Mas as Borboletas mereceram e foi premiado
pela crítica e público.
Na recepção o cineatas estava confuso e completamete desorientado
e falando publicamente mau de todos os filmes premiados, inclusive o
meu. Calmamente em meio de tantos outros premiados e não, eu
pedi a palavra e lhe disse… “em filme uma das coisas que
mais conta para o gosto do público e da crítica é
a criatividada, é o diferente, o novo. O meu filme não
tinha uma camera boa, segundo você, mas tinha criatividade e foi
premiado. O seu não foi com uma técnologia mais avançada!”
M: Como você gosta de colocar as
imagens? Ângulos, edição, trilha sonora, luz....e
pesquisa, há algum roteiro na sua mesa já sendo pensado
para um próximo trabalho? É cara esta arte dos documentários?
Você tem patrocínio?
V: As imagens são colocadas de forma que faça link com
a história e não se perca no meio com a minha criatividade
descontroalda, pois é o que mais se vê nos dias hoje. As
imagens para mim, na minha linha de filme-documentário, a camera
não se move muito, fica ali imparcial perante os atores sociais.
Vário o máximo os ângulos, até mesmo para
não cansar o público e recheio o filme com metáforas
em fotografias. Trabalho sempre me equipe, sou um cidadão diplomata
e democratico. A minha equipe tem que dar a primeira opinião
sobre o primeiro copião, depois parto para alguns amigos inteligentes,
pois nem todos são, mas não deixam de ser meus amigos
e finalmente para uma sessão de críticos variados, partindo
desde o porteiro da minha portaria do prédio até acadêmicos
renomados. Acho fundamental essa reciclagem de opiniões. Tenho
sempre uma sessão especial para todos os envolvidos no filme
e só termino a edição final qdo todos estão
de acordo com as suas imagens e depoimentos dados no filme. Por se tratar
de tópicos de altissimo risco na maioria das vezes, não
posso deixar as pessoas que voluntariamente trabalharam no filme expostas.
Depois do ok delas parto para a finalização da última
edição… Ai vem a parte técnica da arrumaçào
dos defeitos equalizaçào, tradução, legendas,
trilha Sonora … sou muto feliz nas montagens dos filmes, pois
cada dia que passa eu aprendo muito mais com a opinião das pessoas
e o trabalho fica mais enriquecido. Toda a parte técnica é
desenvolvida por mim e pelos rapazes do projeto Juventude e Diversidade
Sexual da ABIA. Os treinei em oficinas para que pudesem desenvolver
seus próprios filmes.
Em “Ritos e Ditos de Jovens Gays” todos os participantes
eram das oficinas. Filme o qual antecedeu as Borboletas.
Ainda continua sendo lago caro de ser feito bem, pois mesmo na era de
tanta digitalização, caso você não termine
bem o filme fica ordinário, com uma finalizaçào
pobre.
Tenho dezenas de scripts na minha mesa de trabalho e todos enfileirados
esperando inicia-los, assim que termine um produção começo
outra. Não deixo nada pela metade. Acredito que corta a minha
edificação espiritual.
M: Tem gente acha documentários
“escessivamente didáticos e meio sem graça”,
como você defende esta produção?
V: Tudo é como se faz ou a ideía que os idealizadores
ou patrocinadores propõem. Tenho visto documentarios fascinates
e nada didático. Oque na maioria das vezes circulam pelas ONGs
são filmes erradamente feitos com intuítos didáticos…
Um coisa monocódia, imagens pobres e idéias ralas. Tudo
é possível ser transformador de opinião, arte delicada
e bem intecionada. Se olharmos o número de videos mau acabados,
produções ordinarias as prateleiras estào repletas
deles.
O brasileiro ainda nào está habituado com documentarios,
mas uma nova geração está surgindo e os próprios
clips musicais de certa forma são documnetários e estão
formando públicos. A televisão começa investir
em docs, mas ainda com uma linguagem de telenovela ou seriado de tv.
Eu não defendo a minha produção, eu faço,
eu continuo aprendendo a modificar as minhas falhas anteriores nos novos
filmes. Digo modificar, pois no proxímo outras falhas surgirão
também.
M: Quem na sua opinião faz um
cinema legal hoje em dia? Fotógrafos, videomackers e diretores,
quais os seus prediletos?
V: São tantos… há pessoas tão lindas fazendo
coisas maravilhosas e estão no back stage do mercado. E outros
como Walter Salles Jr, Nelson Pereira dos Santos, Antonio Calmon, Arnaldo
Jabor, Bruno Barreto, Tizuka Yamasaki, Ang Lee e tantos outros estào
ai produzindo filmes fabulosos…
Meu fotografo predileito é o Sebastião Salgado…
ele é maravilhoso e eu encontro no trabalho dele a minha alma
de fotografo… ele é o meu guru da fotografia…
Tenho uma galleria de fotografias que contém nos diasheoje cerca
de 20 mil fotos. Todas catalogadas e datadas… A fotografia sempre
foi uma arte que desenvolvi desde a idade dos 11 anos… Todos os
meus filmes elas estão lá assinando fatos e registrando
momentos.
M: No rol de grandes interesses da comunidade
Gay há a adoção , a “parceria civil registrada
– casamento gay”, direitos previdenciários, de herança
e de manifestação pública do afeto; Você
é a favor da visibilidade Gay.
V: Somos a favor da adoção, pois há tantas crianças
necessitando de casas e pais para ama-los e dar um direção
a eles na vida. Eu e o meu parceiro sempre endossamos a adoção
por gays.
Parceria civil é importantíssima, pois o casal estabelizado
gay é muito vulnerável perante as leis brasileiras. Somos
alvos das maiores injustiças socias. O Brasil ainda contínua
com as suas leis muito retrogadas mediante ao fato de que o gay brasileiro
é um cidadão que só possui obrigações
e raras oportunidades seu favor. Pagamos impostos de renda separados,
contínuamos ainda na luta dos planos de saúde em conjuto,
não somos reconhecidos como cidadãos plenos. As bancadas
religiosas fazendo lobby contra a expressão de amor e carinho
que dois seres humanos possam ter um pelo outro/a.
Afeto é de natureza do ser humano e nào demonstra-la é
castrar os seus sentimentos e liberdade de expressão. Eu sou
um cidadão que o afeto aflora em meus poros e jamais me proíbo
de mostra-los em público.
Evidentemente que sou a favor da visibiliddade , mas mesmo que não
fosse, nós estamos ai cada dia mais infiltrando a nossa visibilidade
no cotidiano brasileiro e do globo. Visibilidade não corresponde
só aos beijos públicos em shoppings ou nas calçadas
de bairros elegantes das grandes mecas metropolitanas. Visibilidade
está além de manifestações carnavalescas
ou “tanto barulho por nada”. Eqto houver as separações
de classes, as facções dentro do próprio movimento
gay, haverá um imensa resistência das forças contrárias
a liberdade e igualdade da comunidade gay.
M: O que acha das Paradas do Orgulho
Gay que estão tomando conta do Brasil, sendo a de São
Paulo com 2,5 milhões de pessoas, a maior do mundo em 2005 e
mais de 3 milhões em 2007?
V: Ainda fico muito impactado com tanto carnaval, haves e festarias
rodeando esse evento. Assusta-me ver uma multidão de pessoas
sem um ideal de mudança. Observo uma movimentação,
um remexido e não um movimento. Vejo uma série de paradas
realizadas em bairros nobres das cidades e trazendo mais uma vez a mesmice
de sempre. A mídia corre para o zoologico da parada e estampa
as fantasiadas nas primeiras páginas de jornais importantes do
país. E o sinônimo da parada é aquilo, como se naquela
multidão não existissem pessoas, grupos, entidades lutando
os 365 dias do ano para uma vida melhor para os gays. Esses grupos silênciosos,
formiguinhas braçais ficam desaparecidas entre tanto glitter,
músculos, seios, bundas, sungas, paêtes, plumas, apesar
disto tudo fazer parte do pacote da manifestação. Porém
não é o verdadeiro espírito da Parada. É
uma pena ver essas paradas monopolizadas por alguns e com o comércio
cor de rosa impregnado nas paradas. Há quem diga que nada se
faz sem dinheiro ou patrocínio, concordo plenamente, mas qdo
as pessoas tornam as paradas suas verdadeiras passarelas de vaidades,
então o sentido de manifesto é desconstruído. A
parada é importante, há muitas pessoas em cada cidade
desse nosso país ainda acreditando em mudanças. Porém
dentro até do próprio movimento das paradas há
a máfia, pessoas que se instalam para de forma direta ou indireta
criarem barreiras e dificultar a inserção de todos como
uma célula única.
Espero ver 5 milhões d epessoas na proxíma parade de S.P,
mas isto parar mim não significa muito, pois sei que em nosos
país esse número poderia ser o dobro se fossemos mais
concientes que só haverá grandes mudanças mediante
ao esforço de todos.
M: Qual o recado do Vagner Almeida para
os nossos internautas e deixa ai os contatos para quem desejar conhecer
ainda mais os seus trabalhos.
V: Devemos sempre lembrar que juntos podemos fazer uma grande diferença
no sistema. Acredito em união, parceria, comunidade, sejam elas
brancas ou negras, pobres ou ricas, simplesmente necessitam ser fortes,
indestrutíveis… Creio que todos os dias que acordo e vejo
que tenho mais um dia de vida pela frente sinto que a minha força
pode adicionar-se a outras e fazer um imensa diferença positiva
para o mundo.
Amo falar com as pessoas, conhece-las, compartilhar idéias e
ideais.
Meu contato via internet é: vagner.de.almeida@ gmail.com o mesmo
usado para o Messanger
www.vagnerdealmeida.com
MSM & Skipe: vagner.de.almeida@gmail.com
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